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Qual a melhor ferramenta de E-mail Marketing?

Costumo encerrar cada semestre com algum estudo ou pesquisa desenvolvida a respeito de alguma tecnologia que está em evidência ou cuja seja geradora de dúvidas em reuniões do meu dia-a-dia. A pergunta título do Post foi feita a mim algumas centenas de vezes no decorrer de 2009 em reuniões de projetos por clientes e parceiros ávidos por essa necessidade. Como não indico ou recomendo nada sem ter certo conhecimento, ao longo do último semestre desenvolvi um benchmark com as principais ferramentas disponíveis no mercado.

Para a minha surpresa, a ferramenta Top 1 é nacional e gaúcha. É importante dizer que não estou sendo patrocinado por nenhuma das ferramentas apresentadas e não fui influenciado pela nacionalidade da ferramenta nem seu Estado de origem. Pelo contrário, confesso que quando comecei tinha todos os preconceitos possíveis em relação às tecnologias nacionais existentes.

Observações Gerais

Este estudo não tem um rigor científico e trata-se de um benchmark realizado principalmente pela ótica de consumidor. Os parâmetros que usei para estabelecer o Ranking são auto-explicativos pelo seu nome e pelas observações que fiz.

Outros critérios como preço, tecnologia e inovação não foram considerados pois o objetivo é determinar a melhor ferramenta de e-mail marketing para o uso no dia-a-dia corporativo.

Ferramentas Analisadas

As ferramentas escolhidas para realizar o benchmark foram escolhidas principalmente pela sua notoriedade e história (tempo de existência). É sabido que hoje existem mais de 500 ferramentas disponíveis na Internet, neste caso como pré-requisito foram adotadas apenas as ferramentas pagas e onde o disparo pode ser realizado pela Web sem a necessidade de um programa instalado na máquina do utilizador.

A ordem apresentada acima não segue nenhuma regra de ordenamento e não é a classificação final desta avaliação.

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Complexo de Second Life: Formspring

Fugindo das perguntasNo meu tempo de colégio, entre a quarta e quinta série, era comum que as gurias criassem seus questionários. Cadernos ou diários com perguntas sobre vários assuntos, como “Qual sua cor favorita?”; abaixo de cada questão, várias linhas em branco para serem preenchidas pelos “entrevistados”. A primeira pergunta sempre era o nome completo. Assim, elas passavam esses cadernos para os guris preencherem e podiam saber “tudo” sobre a ala masculina da sala. Era uma brincadeira interessante e descontraída.

O formspring.me é quase isso. Trata-se de um site, onde você pode criar seu perfil com as informações básicas sobre vossa pessoa. Automaticamente você recebe uma URL que pode ser informada a pessoas do seu interesse e estas podem lhe fazer perguntas, qualquer pergunta. Você então responde, bloqueia ou simplesmente apaga a questão.

O diagnóstico de “Complexo de Second Life” começa por alguns fatos que quem o desenvolveu não levou em conta em seu planejamento, brainstorm, rascunho ou qualquer coisa do gênero – se é, claro, que houve algo do gênero. Dentre inúmeros pontos, citarei os principais, são eles:

  1. Como evita-se que uma pergunta não seja repetida inúmeras vezes de formas diferentes? Invariavelmente quem responde uma hora cansa de responder as mesmas coisas e quando isso acontece, o que era divertido e interessante passa a ser monótono e aos poucos deixa de ser utilizado.
  2. Existe alguma maneira de catalogar, classificar ou agrupar as perguntas? Não. Por mais incrível e óbvio que pareça, essa funcionalidade não existe. E quando houver milhares de perguntas?  Quem vai passar da primeira página de perguntas e respostas?
  3. Não há como armazenar as perguntas e repetir a outros usuários. Imagine que você queira fazer uma enquete, ou seja, a mesma pergunta para várias pessoas de sua rede. Bom, pelo formspring.me você realmente não conseguirá fazer.
  4. Não há rede, você pode seguir pessoas, como no Twitter, mas não há nenhum princípio de interação mutua – um dos preceitos mais básicos da web 2.0.
  5. Não tem aplicabilidade ao mundo corporativo. Porque uma empresa utilizaria o formspring.me? Seria fácil responder se ferramentas como o Google Docs Forms ou EasyMailing Pesquisa não existissem. Uma empresa não teria como interagir e sim reagir às perguntas realizadas. No Twitter uma corporação pode contar o que está fazendo e interagir com seu público.

No último mês devo ter visto pelo menos 20 matérias na televisão, jornais e revistas sobre esta ferramenta. Obviamente não se atentaram a pontos determinantes para o sucesso de um projeto na web atual. Uma ferramenta que ignora leis básicas da Web 2.0 e usabilidade não merece tanto destaque e por esse motivo resolvi abordar este assunto.

Mesmo com todos os pontos fracos corrigidos, não só os citados, a aplicação não faria sucesso como fez e faz Orkut, YouTube e Twitter. Basicamente porque entretenimento na web, que é o principal artifício dessas redes sócias e ponto chave do sucesso, deve traduzir algum ponto  da vida offline para o online. Explico de forma generalista:

Orkut

Nada mais é do que a tradução do cotidiano social. O Orkut traz para o mundo online o que nos fazemos no mundo offline: amizades, grupos de amigos, afinidades, reunião de pensamentos, bate-papo e troca de experiências. O Orkut faz tanto sucesso no Brasil pois expõe a vida cotidiana, é a “fofoca digital” e o Brasileiro é adepto e acostumado nesta cultura. FaceBook e LinkeIn fazem mais sucesso em outros países do que aqui pois tratam a vida particular de uma forma diferente, dando ênfase muita mais a vida profissional e o cotidiano coletivo, sem muita interferência no cotidiano particular.

YouTube

Um espaço para compartilhar em vídeo, a vida, o cotidiano e curiosidades. O que você antes fazia trocando e-mail, emprestando CDs e DVDs, reunindo pessoas em frente a TV agora você também pode fazer de forma mais rápida, democrática e sem maiores complicações. O YouTube também tirou o controle remoto da mão de muitas pessoas e no lugar colocou a câmera, quebrando a barreira do domínio e da centralização da informação principalmente nos países menos desenvolvidos.

Twitter

O Twitter é uma ferramenta prática, simples e funcional. Quantas vezes começamos uma conversa perguntando ao outro: “E aí, o que você está fazendo?”. O Twitter vai além e permite que saibamos o que o outro está fazendo constantemente, o que está acontecendo naquele instante e até o que ainda esta para acontecer. Recentemente podemos divulgar tweets de quem seguimos propagando-os para nossa rede. É comunicação em massa em tempo real e livre, pois você escolhe quem quer “ouvir”.

O que o formsping.me traz da vida real? Nada. Possui algum nível de entretenimento, sim, mas tão fraco que haverá uma explosão de interesse pela ferramenta, se é que isso não está ocorrendo neste momento, e logo após um esquecimento quase que total. O estopim do interesse é a mídia, que por sua vez é voraz por novidades. Formspring.me, é novidade, mas não é inovador, não agrega, não satisfaz.

Outro ponto muito fraco da ferramenta é o estimulo e a integração com o Twitter, o que acredito que será fator alto de “unfollows”. Esta semana li exatamente 32 tweets daqueles que sigo reclamando de pessoas da sua rede divulgando e tweetando as perguntas do formspring. Obviamente o Twitter não tem esse propósito e a utilização dessa maneira chega ao ponto de ser inconveniente.

Alguns famosos já estão na ferramenta, como Thedy Corrêa músico, compositor e vocalista da banda Nenhum de Nós. Acessei seu formspring e encontrei uma barra de rolagem com milhares de perguntas. Durante os cinco minutos de paciência e muita bobagem que li, encontrei duas perguntas e suas respectivas respostas que resumem este assunto:

  • Você vai responder todas as perguntas que te fizerem aqui ou vai selecionar só algumas?
    Responder TODAS, menos as repetidas…
  • Onde tu arranja tanta paciência para responder tantas perguntas (inclusive essa daqui?)
    Sou um sujeito paciente por natureza…

A origem do termo “Complexo de Second Life” é explicada em outro post.

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Complexo de Second Life: Wolfram Alpha

inovacaoE o futuro da internet mais uma vez esta em discussão. E como não seria diferente a mídia achou o novo arquiinimigo do Google. Assim como aconteceu com o Second Life, alguém descobriu uma invenção e saiu por ai dizendo que ela vai mudar a Internet para sempre, que será uma revolução e que esta sim será a inovação divisora de águas da internet.

Refiro-me ao Wolfram Alpha. Uma ferramenta que promete entender, raciocinar e responder perguntas. Sim é isso mesmo: o sistema irá entender a pergunta; promessa do Dr. Stephen Wolfram criador e responsável pelo projeto. Ainda, segundo ele o sistema será baseado em campos do conhecimento pré-concebidos e certa inteligência artificial o que permitirá responder questões nas quais o conteúdo da resposta sequer exista publicado na Web.

Primeiramente não se trata de uma inovação. Já existem projetos de busca e pesquisa baseados no paradigma de questões imperativas e baseados em linguagem comum. Vide Yahoo Respostas, Powerset e seus similares. Por mais que se diga que o computador irá entender e processar a pergunta, isso se dará baseado em uma estrutura fixa e limitada de informações. Até o momento não existe tecnologia capaz de pensar, raciocinar e aprender.

Deixo claro que minha crítica não é para o projeto. Penso que se trata de um estudo de grande valia e que trará novos avanços em diversas áreas. Mas tratar como uma grande inovação, como ameaça ao Google e dizer que mudará a internet para sempre; exagero, sensacionalismo e o que agora passo a chamar tecnicamente de “Complexo de Second Life”.

A matéria foi publicada no The Independent, na seção de Gadgets & Tech e pode ser acessada aqui.

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